31 março 2025

Ovas de Bacalhau Cozidas com Todos

 


   Estas humildes refeições aqui publicadas, são feitas com derivados de bacalhau e consumidas a bordo pelos marinheiros nas suas caldeiradas. Evitava-se ao máximo cozinhar os bacalhaus que se pescavam e faziam parte da carga, excepção para os impopulares Sanapaios (bacalhau muito pequeno). Estes derivados eram por norma deitados fora, sendo aproveitados para estas caldeiradas. Estas publicações destinam-se a não deixar desaparecer estes pratos e mostrar a verdadeira gastronomia de bordo. Afinal, estes pratos eram consumidos frequentemente nas caldeiradas do pessoal do quarto, depois de sair de serviço.

  Em terra inventaram a feijoada de Samos, não é má, mas continuo a preferir estes petiscos de mar.

Andei uns anos na pesca do bacalhau e nos navios em que andei nunca vi uma feijoada de Samos. Comiam-se de toda a maneira e feitio, menos em feijoada.

Nada como a cozinha gourmet de mar!


Alhos, cebola, cenoura e batatas prontos a iram ao lume

As ovas

Couve, as ovas e o  hidratante do cozinheiro (na cozinha faz um calor terrível)

Vai tudo ao lume

Para uma entaladela (breve cozedura)

Já está

Agora as ovas

E quando estas estiverem quase cozidas, a couve

Pronto, está cozinhado e servido, convém guardar

A mãe dá uma ajuda

Parece bom, pode ser consumido

A foto final!

Acompanhado por um tinto do Redondo








Chocolate de bacalhau

 


  Parece que agora é moda. Desde que surgiu no mercado o chocolate do Dubai, seguiu-se lhe o chocolate de Marrocos e depois o do Afeganistão.

Entretanto os portugueses acabam por lançar, o chocolate de Bacalhau, na capital nacional do mesmo, Ílhavo.

À data este tipo de chocolate não existia, mas este Blogue não podia deixar de se associar a este lançamento nacional e quiçá internacional do mesmo.

Bon appétit!



Chocolate de Bacalhau


30 março 2025

Massada de Samos



  Hoje vamos fazer uma massada de samos. Mas o que são os samos? Bem, os samos fazem parte da bexiga natatória do bacalhau, agarrados à espinha. Fazem parte de um órgão, que enche ou esvazia de água, ajudando o peixe a regular a sua profundidade. 

Temos então aqui uns samos já demolhados, os alhos, a cebola e os pimentos. Vamos pois, dar início ao refugado.

  Não deixa de ser um prato simples, mas muito paladoso. É aliás um clássico de mar e a sua suculência é muito apreciada pelas tripulações.


Está quase tudo pronto para dar início à confecção deste prato

Começamos por derreter a margarina num pouco de azeite

Os alhos, a cebola e os pimentos já prontos

Refugamos os pimentos com os alhos e a cebola

Pimenta, tomate pelado e as ervilhas

A massinha, a cerveja e as ervilhas

Adicionamos o tomate, a cerveja, sal e a pimenta ao refugado

E esperamos


Quando levantar fervura novamente adicionamos os samos

E mais tarde as ervilhas, pois estas cozem rápido

Está pronto e servido

A foto final


28 março 2025

Tremidinho de Línguas

 


  

  Durante a escala do bacalhau, o Contramestre ordena que se retirem umas línguas, para preparar na caldeirada da meia-noite. Cozinhadas desta forma são um dos grandes pratos, que constituem as caldeiradas de mar. Há malta mais nova, que pede ao cozinheiro para guardar outro prato de carne, como feijoada. Mas este é para os apreciadores, um prato extremamente perfumado e suculento. É muito simples, só línguas e batata cozida, mas como já aqui dissemos, no meio de simplicidade emerge a virtude.

Uma refeição gourmet bacalhoeira portanto, sim porque também as há. No mar há de tudo.

Bon appétit!


Muito simples, aquece-se o azeite e os alhos, enquanto a batata acaba de cozer

A batata já cozida, reserva-se

A mãe também é uma apreciadora

E vem ver se tudo é confeccionado de acordo com as normas

Azeite, os alhos e as línguas

Num tacho ferve-se o azeite com os alhos

Colocam-se as línguas

Abafa-se o tacho e abana-se tremidamente, daí o termo tremidinho

E está pronto

A foto final

E um tinto da Vidigueira a acompanhar, a viagem será boa


27 março 2025

Sopa de Feijão com Todos

 


  

  Em Dezembro de 2013, durante o embarque que fiz no Scorpius, o Cozinheiro informou-me que só se comia peixe durante a semana, excepto à 4ª feira, dia em que a carne fazia parte da ementa. Optou por fazer só uma sopinha como prato único. Na pesca costeira, os pescadores são muito frugais na sua alimentação.

  Decidi então, reproduzir esta humilde sopa na minha casa. A frugalidade composta num um prato único.


Entrecosto

Morcela (chouriço de sangue), chouriço preto e chouriço vermelho

Feijão cozido

Na água de cozer o feijão, acrescentamos alhos, batata, cebola e os enchidos, para além dos temperos

Deixa-se cozer

Pronto, já está!

Então, fatiamos os enchidos 



O entrecosto

Cenoura

O feijão, os enchidos e o feijão verde

Adicionamos à sopa, rectificamos os temperos e a água

Assim que voltar a ferver, está pronto!

E servido

Uma malguinha de sopa

E um pratinho gourmet com as carnes (quem diz que no mar não há cozinha gourmet?)

A foto final


Potas Guisadas em Jardineira

     Já tinha esta panela, a Iron Pot (panela de ferro) da Master Swiss, há algum tempo, mas por preguiça fui protelando o seu processo de c...